A caverna dos sonhos esquecidos

Assim começa o documentário do diretor alemão Werner Herzog “A caverna dos sonhos esquecidos”: Jean-Marie Chouvet, Cristian Hillaire e Elliete Brunel (espeleólogos – especialistas em cavernas) procuravam por correntes de ar vindas de frestas (sinais de uma possível caverna) em Vallon-Pont-d’Arc, na França, quando algo extraordinário aconteceu, eles se depararam com um dos locais mais importantes do mundo. Era 1994.

 

A Caverna de Chauvet tem cerca de 400 metros de extensão e guarda relíquias de mais de 30.000 anos. São pinturas rupestres de 424 animais de catorze espécies (como cavalos e ursos) e estalactites de formatos raros. Elas são duas vezes mais antigas do que qualquer outra evidência encontrada até hoje. Só que o mais surpreendente é o estado de conservação das obras: praticamente intactas, como se houvessem sido pintadas um dia antes, com pedaços de tochas e rochas, a dedo ou com as palmas das mãos.

Devido a um desmoronamento que selou completamente a entrada, o ambiente dentro da caverna se tornou inalterável por milênios. Uma verdadeira cápsula do tempo, intocada, uma verdadeira relíquia da humanidade.

Diante da importância desta descoberta, o governo francês logo se empenhou em restringir o acesso ao local de forma rígida – tendo em vista o surgimento de mofo nas paredes da também importante Caverna de Lascaux, que acabou sofrendo com a respiração de seus muitos turistas. Vedada com uma porta maciça, como de um caixa forte, poucos são autorizados a entrar em Chauvet.

Herzog conseguiu permissão exclusiva para filmar o tesouro, mas com uma série de restrições.

O cineasta e a equipe de três técnicos tiveram apenas uma hora para fazer as imagens. Uma equipe cientifica constituída de especialistas de vários campos, incluindo estudiosos da arte fizeram parte da expedição. Utilizando câmeras digitais não profissionais, tendo disponível um tempo curto de trabalho e respeitando os criteriosos procedimentos dentro da caverna, o diretor acabou driblando as adversidades de maneira sem precedentes, e o resultado não poderia ser mais elucidativo e belo.

É importante frisar que a “Caverna dos Sonhos Perdidos”, foi rodado sem fins comerciais, visando principalmente propagar informações sobre este importante patrimônio natural. Além de misteriosa a Caverna de Chauvet é, muito provavelmente, o berço da criatividade humana, em forma de arte e história.

Mergulhados na escuridão, somos surpreendidos por imagens que saltam e acabam compondo um deslumbre visual sem palavras. Caso a projeção não fosse em 3D, o documentário seria um curioso registro sobre o passado da humanidade. Mas as três dimensões levam o espectador mais longe e dão a ele a experiência de ver um filme como se estivesse entrando num túnel do tempo.

Werner Herzog com sua hipnótica narração nos conduz a um mundo “muito” passado e sequer imaginado onde a simples presença do homem pesquisador munido com todo seu aparato tecnológico altera cada milímetro do ambiente. Talvez uma mensagem silenciosa de que algumas coisas extremamente preciosas não devem ser tocadas menos ainda olhadas, mesmo que com admiração ou até objeto de estudo.

Ao diretor alemão só nos cabe agradecer por compartilhar tamanha beleza e riqueza histórica. E para quem pergunta sobre nossas origens, quem sabe agora, depois da “Caverna dos sonhos esquecidos” possamos dizer que sim, temos uma provável desconfiança.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=YQjjzjUAMqs

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Redação Portal do Envelhecimento

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