Alzheimer: é possível viver bem?

Garantia de qualidade de vida da pessoa com Alzheimer, o que é importante para que o cuidador não descuide de si mesmo, as medidas do dia a dia que podem melhorar a rotina da pessoa e da família, e o cenário do Alzheimer no Brasil foram temas de discussão de evento realizado em São Paulo.

 

O Blog “Recorda-me“, abrigado no Portal do Envelhecimento, sob a coordenação da psicóloga Simone de Cássia F. Manzaro, participou de um café e bate-papo sobre a Doença de Alzheimer, na semana que antecedeu o dia mundial da doença. O principal tema era a possibilidade de viver bem no contexto da doença.

Foto: Imagem Corporativa

O bate-papo foi mediado por profissionais da área como Antonio Damim, neurologista do Hospital das Clínicas; Cristiane Pomeranz, arteterapeuta e mestre em Gerontologia, fundadora do projeto Faça Memórias, e Fernando Aguzzoli, autor do livro “Quem, eu?” que conta sua experiência como cuidador de sua avó com Alzheimer. O encontro reuniu outros profissionais atuantes no contexto da gerontologia, jornalistas de editoriais de saúde de portais e também revistas.

Os principais pontos discutidos neste encontro foram a garantia de qualidade de vida da pessoa com Alzheimer; o que é importante para que o cuidador não descuide de si mesmo; as medidas do dia a dia que podem melhorar a rotina da pessoa e da família; o cenário do Alzheimer no Brasil hoje; como o diagnóstico precoce ajuda na melhor qualidade de vida e como as terapias complementares podem ajudar, entre outros.

Principais dúvidas

De uma forma bem didática muitas dúvidas foram esclarecidas, baseadas no que há de mais atual. Os principais pontos da conversa estão elencados a seguir:

– O que é a Doença de Alzheimer?

É uma doença neurodegenerativa e progressiva, o tipo mais comum de demência. É caracterizada pela perda das funções cognitivas, principalmente, memória, linguagem e comportamento, e leva o indivíduo a dependência de suas atividades de vida.

– Quais os primeiros sintomas da doença?

Na maioria das pessoas é a perda de memória recente, mas, podem existir outros sintomas como dor de cabeça contínua, perda do paladar, alterações comportamentais repentinas que podem ser indicativos e merecem um acompanhamento mais detalhado.

– Qual o cenário da Doença de Alzheimer no Brasil?

Tem melhorado muito desde 2000, mas ainda percebe-se que o acesso ao tratamento não é igual para todo mundo, o conhecimento sobre a doença ainda é deficitário. Infelizmente, o esquecimento ainda é visto como “esclerose” e “caduquice”, algo que ocorre no processo de envelhecimento e é normal para todos. Enfatizamos sempre a necessidade de um tratamento diferenciado com uma equipe multidisciplinar através de tratamento não farmacológico que é tão importante quanto a medicação. Novos estudos estão sendo realizados com terapias imunológicas (com o uso de anticorpos sobre a proteína Beta amiloide), mas ainda são experimentais.

– A que se deve o aumento da doença?

A população mundial está vivendo mais e, a idade é considerada fator de risco para a doença, logo, ela está ficando cada vez mais comum. Ainda temos que pontuar que de 30 a 40% das pessoas vivem sem diagnóstico ou acesso ao tratamento, o que não nos permite dimensionar precisamente esse número.

– Quais são os fatores de risco para a doença?

O maior fator de risco é a idade, mas outros fatores como o sedentarismo, obesidade, genética, diabetes e hipertensão, se não tratados, podem influenciar. É importante que os fatores de risco sejam controlados desde jovem para que seus resultados sejam vistos lá na frente.

– O que é importante para que o cuidador não descuide de si mesmo?

O cuidador deve aprender a dividir o cuidado com outros membros da família na medida do possível. Dessa forma ele não irá adoecer junto. É preciso procurar grupos de ajuda, cujo compartilhar experiências com pessoas que passam pela mesma situação pode trazer certo conforto e vontade de seguir adiante. Podem ainda trocar dicas de cuidados para facilitar o manejo com a pessoa doente.

– Quais as medidas do dia a dia que podem melhorar a rotina da pessoa doente e da família.

O bom humor e o afeto no cuidado são fundamentais. Para a família é importante buscar informação sobre a doença; buscar apoio em grupos de ajuda; dividir o cuidado; conhecer pessoas que passam pela mesma situação. Para a pessoa com a doença, o uso de medicamentos que ajudem na melhora da cognição e funcionalidade; atividade física e acompanhamento de equipe multidisciplinar e terapias complementares.

– Como o diagnóstico precoce ajuda na melhor qualidade de vida do paciente.

É importante que a família, o cuidador e as pessoas do convívio fiquem atentas a toda alteração que o seu ente querido venha a apresentar. Nenhum esquecimento é normal no envelhecimento, então, é preciso uma avaliação médica para ter uma certeza provável do que pode ser. Quanto antes o diagnóstico da doença for realizado, mais tempo a família e a pessoa terão para se organizar, para buscar alternativas que possam trazer melhora na qualidade de vida por meio de equipe multidisciplinar e medicamentos que melhoram a função cognitiva amenizando os avanços da doença. É importante mencionar que a palavra demência está caindo em desuso e foi substituída por Transtorno neurocognitivo maior e já está no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais desde 2014.

– É possível prevenir a doença?

Prevenir é muito questionável, pois não significa deixar de ter, mas sim que a probabilidade de ter é diminuída, ou seja, posterga o início da doença.

­- Como as terapias complementares podem ajudar.

As terapias complementares – como a fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, terapia ocupacional, neuropsicologia, psicologia etc -, e o uso da estimulação cognitiva são fundamentais neste processo além da neurologia, geriatria, gerontologia e psiquiatria. Os profissionais precisam trabalhar junto e olhar para essa pessoa de uma forma global. A intenção desse acompanhamento é procurar amenizar os efeitos do avanço da doença garantindo mais autonomia à pessoa doente.

Cristiane Pomeranz e Simone Manzaro

A arte como estímulo da memória

Ainda, neste encontro, falou-se sobre o uso da arte como estímulo da memória para a pessoa com Alzheimer. A arte entra neste contexto como forma de garantir potencialidades, autonomia, sociabilidade. De oferecer a possibilidade de cuidado ao outro, de empatia. É comprovado que a arte na doença traz efeitos positivos, pois o principal é olhar para a pessoa doente e não a doença, estimulando o que ela consegue fazer, é isso que deve ser valorizado.

Observamos cada vez mais que alternativas não farmacológicas estão sendo aliadas às farmacológicas para beneficiar a pessoa doente e garantir melhora na qualidade de vida e em sua autonomia quando for possível.

Informar sobre o processo da doença desde seus primeiros sintomas ainda é o entrave para um diagnóstico precoce, visto que, muitas pessoas ainda consideram a perda de memória como parte do processo de envelhecimento, o que acaba por atrasar o diagnóstico.

Acreditamos que nos dias atuais o maior cuidado é o de informar. Conseguindo dar esse primeiro passo já consideramos que o acesso ao restante se torna facilitado.

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Simone de Cássia Freitas Manzaro

Simone de Cássia Freitas Manzaro

Psicóloga, realiza atendimento psicológico de adultos e idosos. Voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz. Experiência em estimulação cognitiva para pacientes com demências; atua com estimulação cognitiva preventiva e consultoria gerontológica, orientando familiares e cuidadores, criando estratégias e atividades para lidar com o paciente no dia a dia, supervisionando treinamento prático. E-mail: simonemanzaro@gmail.com

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