Dorothy Lenner – 84 anos, bailarina e atriz

Moradora da cidade de Tiradentes (MG), a atriz e bailarina Doroty Lenner, nasceu em Bucareste. Em 1939, com a invasão da Polônia por Hitler, a família mudou-se para a Argentina. Aos 3 anos, Dorothy se divertia dançando sobre a mesa com toalhas enroladas no corpo. “Foi em Buenos Aires que iniciei meus estudos de dança moderna, clássica e flamenca”, recorda ela. – 84 anos, bailarina e atriz.

 

Olhar tranquilo, sorriso calmo, gestos acolhedores. A expressão de Dorothy Lenner já é um convite à aproximação, um convite à escuta, para compartilhar lembranças e memórias. Nascida em Bucareste, Romênia, viveu na Argentina antes de fixar-se no Brasil há décadas. Em sua narrativa estão claros os sinais do aprendizado com seu mestre Takao Kusuno, sobre a transgressão e superação das limitações físicas pelo bailarino, em um caminho onde a vida não se separa da arte, da criação, da vida e da morte.

Mais 60: Você é seu percurso, aos 85 anos.

DL: É, quase 85 anos (risos). Com todas as crises pelas quais passei, que os outros passaram, porque não deixamos de viver, também, as crises daqueles que vivem juntos conosco, por mais que você queira. É uma troca, a vida é uma troca constante. E, muitas vezes, precisamos, também, ficar sós para refletir a vida!

Mais 60: Nossa vida é feita de conexões, uma tessitura.

DL: Uma rede… e nós somos todos iguais. O que interessa é comunicar-se, entender os outros. E ajudar e te ajudar, você tem que se ajudar e ajudar o outro, saber se doar!

Mais 60: Essa é outra questão. Você pode construir sua vida como bailarina, atriz mas, também, no anonimato.

DL: Você pode e você deve, porque tudo é arte, se você quer saber. Tudo é arte. A natureza é arte, você quer coisa maior do que as esculturas de Deus? Tudo é arte, tudo. A arte de viver.

Mais 60: Para encerrar este encontro, você gostaria de dizer algo mais?

DL: Sim. Seja autêntico! Ser autêntico e viver a vida com prazer, com alegria, com paciência, tolerância e generosidade. Cada um descobre por si como fazê-lo. Nesse momento, o mundo está muito doente. Precisa de amor e tudo que fazemos, devemos fazer com amor. É isso! Seja feliz, sejamos felizes! Estamos vivos! Amém!

 

Leia a entrevista completa em: https://www.sescsp.org.br/files/artigo/381a8f00-0152-4a1b-8969-7ecdc338f1cd.pdf

Crédito da foto:  Matheus José Maria

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